Africa Basquetebol

26 agosto 2007

AFROBASKET 2007 : Grupo da morte valeu pela emotividade e espectacularidade

Série B foi disputada no Lubango pelas equipas do Egipto, Senegal, Mali e Côte d’ Ivoire

Morais Canamua,
no Lubango



No lavar dos cestos, se pode dizer que o grupo B, considerado a partida como sendo o grupo da morte, correspondeu às expectativas embora, como é obvio, as surpresas não se colocaram de parte.
As selecções do Egipto, Senegal, Mali e Côte d´Ivoire protagonizaram, durante as três primeiras jornadas jogos de roer as unhas e impróprios para cardíacos, dada a carga emotiva e competitiva que emprestaram.
Se, por um lado, na primeira jornada, quer os malianos quer os ivoirenses caíram aos pés dos seus adversários, no caso Senegal e Egipto, tidos a partida como potenciais candidatos ao título, na segunda, os que haviam baqueado redimiram-se dando a volta por cima.
De facto, Mali e Côte d´Ivoire viriam a dar a volta por cima triunfando na segunda jornada, diante do Senegal e Egipto, o que veio apimentar ainda mais o grupo, já por si picante. Adivinhava-se então uma terceira jornada escaldante onde a determinação de cada uma das equipas era determinante para a passagem à fase seguinte.
No final das contas, faraós e ivoirenses passaram, deixando para trás dois colossos do basquetebol continental, Mali e Senegal. Mais do que isso estava subscrito que afinal no desporto e no caso no basquetebol, não há vencedores antecipados.
O relevante de tudo é que os mil e um constrangimentos de fórum organizativo não chegaram para manchar a prova. O público marcou presença significativa em todas as partidas.
O Multiusos do Lubango manifestou sempre boa casa com público vibrante e ensurdecedor enaltecendo assim a festa do basquetebol.
Este facto ficou marcado na memória dos dirigentes, técnicos e atletas das equipas que aqui evoluíram, pois ficaram admiradas como é que não jogando no Lubango a selecção angolana, o povo manifestou alto sentido de fair play, carinho e sobretudo respeito.
Outra nota relevante foi o facto de se ter primado, à última hora, pela hospedagem das equipas no Grande Hotel da Huíla, o que viria a facilitar todas as manobras operacionais. Dum modo genérico, a prova ficou igualmente marcada pelo facto de a população do Lubango se ter expressado de forma muito natural, mostrando a sua cultura e seus hábitos e costumes.
Os forasteiros, nas poucas oportunidades que tiveram de dar um passeio na urbe, degustaram e souberam retribuir o carinho. De certeza, eles levaram um bocado desta terra onde a mulher mumuíla é o símbolo.

Organização acabou bem

Do ponto de vista organizativo, nem tudo esteve bem no início. Quase tudo atrasou. Até a venda de bilhetes ao público sedento atrasou e teve efeitos negativos.
Por outro lado, já no segundo e terceiro dias, a máquina organizativa deu a volta por cima e conseguiu situar-se num bom plano.
Dum modo geral, tudo funcionou a contento e acabou bem. Para os jornalistas que vieram para cobrir o evento, as mínimas condições foram criadas. Se no primeiro dia houve imensas queixas, por falta de sistema de internet, nos dois restantes já houve elogios.
Da mesma forma, toda maquinaria adjacente a todo sistema organizativo funcionou, com destaque para o fã park, que até ao dia da grande final esteve em pleno, com projecção televisiva, jogos de diversão, concursos e outros adicionais que serviram para colorir a festa.
Longe de ser uma tarefa árdua e espinhosa, a realização do grupo B na cidade do Lubango foi uma ocasião ímpar para medir a pulsação dos amantes do desporto em geral e do basquetebol em particular e um tónico para o desenvolvimento da modalidade a nível local.
Valeu a festa em que todos nós ganhamos!

Um “recado” para Angola!

Hoje jogo Eu

António félix

Hoje, domingo, não tem como as conversas do dia não gravitarem em torno da conquista de ontem, essa de Angola voltar a subir ao pódio da bola ao cesto africana, pela nova vez. A toda hora e em qualquer lugar, o feito está na berlinda. E por isso mesmo, haja pândega e fanfarra quanto baste para de Cabinda ao Cunene darmos largas ao ceptro. Valeu a pena o investimento. Ganhámos com respeito e os Camarões perdeu com dignidade e, por isso mesmo, quero voltar a falar um pouco desse digno vencido:
Dois jornais camaroneses, que muito li durante os dias que precederam à final (ontem), saíram à rua em Yaoundé e Doualá em letras garrafais com um título, à modo de pergunta, quase coincidente : Para os Leões Indomáveis, quem é o adversário (obviamente uma referência a Angola)? Outra pergunta era: para Patrick Bouli e seus colegas não será impossível arrebatar o título do Afrobasket de 2007?
Faz-me lembrar uma pergunta igual que os militares em tempo de metralha costumam fazer: o que importa ao inimigo madrugar, se nós não dormimos?
Interrogações como essas, além de ousadas, são por demais altivas, feitas por quem teoricamente subestima o seu adversário.
E, mais palavra, menos palavra, foi essa a mensagem; foi esse ousado jogo psicológico até ontem usado pelo treinador dos Camarões. Há quem diga que no fundo, tinha boas razões. É que, depois de 45 anos de competição, os Camarões puderam, enfim, disputar ontem a sua terceira final de um Afrobasket.
Quis o destino que fosse com Angola, mas (perdeu), fica só o consolo de se ter qualificado automaticamente para os Jogos Olímpicos de Beijing, em 2008, na China.
A lição e o “recado” que fica é que os Camarões mostrou que, no porvir, está em condições de tudo fazer para evitar o domínio de Angola, que continua a mandar, depois de outros « império » edificados e já caídos em “ruína”, como o Senegal, Mali, RCA, Nigéria e Egipto.
Como bem falamos ontem neste jornal, haviam competido só nos anos de 1972, 1974 (com um terceiro lugar na República Centro Africana) e 1991.
É um país, uma selecção que deve a partir de agora ser levada em conta porque já foi visto que vai no futuro fazer a Angola o mesmo “curto circuito” que fazem os países acima citados.
Pelo menos matéria humana tem. Falta-lhe, talvez, as mesmas facilidades de preparação que Angola tem. Já se referiu bastas vezes como fez das tripas coração para chegar a Luanda e o facto de ter trazido, à última da hora, mais jogadores da sua diáspora, do que os domésticos, atesta o deficit que teve na preparação. É uma pena o que acontece em África.
Todavia, já para o “Afro” de 2009, na Nigéria, a Angola fica o “recado” desse emergente Camarões !

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