Africa Basquetebol

29 maio 2007

MOÇAMBIQUE : Campeonato da Cidade em Femininos : Bravura do ISPU ofusca estrangeiras “alvi-negras”

JÁ se sabia, “a priori”, que seria urna grande partida de basquetebol. Gravitava em seu redor um infindável conjunto de atractivos, sendo de destacar, para além do ajuste de contas, em face do triunfo do Desportivo na primeira volta, os marcantes acontecimentos que se sucederam ao longo da semana finda, nomeadamente os seguintes: a “chicotada psicológica” ocorrida no ISPU, com o afastamento de Armando Meque e sua consequente substituição por Alexandre Mata, e a aposta “alvi-negra” em duas postes estrangeiras, a húngara Andrea Hadjune e a argentina Gizela Rebora, cuja estreia estava marcada justamente para sábado. Os factos no terreno acabaram por ser favoráveis às “universitárias”, que ganharam claramente por 28 pontos (77-49) e reavivaram as suas aspirações quanto à conquista do ceptro, a despeito de, nesta ponta final da prova, tal desiderato já se afigurar um tanto ou quanto complicado. Na outra partida da jornada, Maxaquene bateu Académica pela marca de 62-34.

Caminhando celeremente para a sua conclusão, que deverá acontecer já nos próximos dias, isto é, antes do arranque da fase de qualificação da Taça dos Campeões de África, em que o nosso país far-se-á representar pelo ISPU e pelo Desportivo - o Ferroviário, na qualidade de anfitrião, já transitou para a fase final, marcada para Outubro, igualmente em Maputo - o Campeonato de Basquetebol da Cidade em Seniores Femininos vai ganhando mais pólos de atracção, até pelo facto de a luta pelo título ter acrescentado mais um time e neste momento ainda não se vislumbrar quem será quem ao cair do pano.

Vejamos, por exemplo, a classificação actual: Desportivo (mais um jogo) 12 pontos, Ferroviário 11, ISPU 10, Maxaquene 8 e Académica 5.

COM MATA AO LEME...

Já era previsível a mudança no xadrez técnico do ISPU, pois, a avaliar pela excelente qualidade de atletas que formam o seu plantel - das melhores que o país possui - estava claro que o nó de estrangulamento só podia residir no condutor da equipa. Mas, como sói dizer-se, antes tarde do que nunca, a Direcção do Clube acabou por se decidir pela mudança lógica: a saída de Armando Meque e a promoção da “velha raposa” Alexandre Mata, com um efeito para já imediato, consubstanciado no facto de a equipa - coincidentemente ou não - ter ganho a um dos concorrentes ao título, com quem perdera na primeira volta, e sobretudo as jogadoras terem revelado uma atitude competitiva mais consentânea com os seus pergaminhos.

Ana Flávia Azinheira voltou a estar igual a si própria, particularmente no jogo interior, a par da regressada e decisiva Tânia Wachene, Vaneza Júnior, ambas eficientíssimas nos triplos, assim como Iracema Ndauana, mais lesta nos seus movimentos. Com uma preciosa leitura da globalidade do poderio da equipa, Mata introduziu novos elementos, que acabaram por trazer uma mudança extremamente positiva na coesão do grupo: deixou que atletas como Eduarda Chongo e Nádia do Rosário, normalmente utilizadas durante pouco tempo, tivessem mais minutos em campo, insuflando-lhes assim confiança em si próprias.

Quanto ao Desportivo, apesar da derrota, a expectativa à sua volta, especialmente as novas conquistas, não caiu em saco roto. Andrea e Gizela demonstraram uma excelente movimentação em campo e, tal como havíamos previsto, pertenceu-lhes o maior quinhão no capítulo dos lançamentos livres, com uma taxa de concretização acima dos 90 porcento. Terá falhado, isso sim - e acreditamos que Nazir Salé ainda vai a tempo de introduzir esses automatismos - o poder de criação e perspicácia das bases e das extremos para fazer chegar o esférico às suas novas companheiras lá nas alturas. De qualquer das formas, foi notório que as “alvi-negras” - aliás, à semelhança das “universitárias” face ao actual timoneiro - adaptar­-se-ão à revolução imposta pelas novas aquisições.

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