Africa Basquetebol

15 maio 2007

ANGOLA : Escola Nacional de Basquetebol

Criada com o objectivo de desenvolver a modalidade, a Escola Nacional de Basquetebol, afecta à Federação Angolana da modalidade, tem a responsabilidade de melhorar a formação de treinadores, dirigentes desportivos, estatísticos, juízes, árbitros e oficiais de mesa. Os projectos da mesma são vários, mas têm encontrado dificuldades de execução, devido à pouca colaboração das Associações Provinciais, estas que ainda têm dificuldade de entender os propósitos da instituição acima citada. Nessa entrevista, o leitor vai saber às quantas anda esta Escola Nacional de Basquetebol. Tó Ventura, o seu director, fala das dificuldades e as metas a que se propõem atingir dentro de três anos.

João Constantino (textos)

Jornal dos Desportos (JD)- Quais os objectivos da Escola Nacional de Basquetebol?
Tó Ventura (TV) – O objectivo da Escola é de desenvolver a modalidade e melhorar a formação de treinadores, dirigentes desportivos, estatísticos, juízes, árbitros e oficiais de mesa. É fazer com que a modalidade tenha uma expansão e desenvolvimento ao nível nacional.


JD – Que estratégia de trabalho pensa adoptar para se atingir este propósito?
T V
- Temos vários projectos que são acompanhados de seminários anuais. Os cursos, por exemplo, são sempre feitos acompanhados dos respectivos kits, que facilitam ao formado trabalhar na aérea respectiva. Ao nível de formação, temos 12 programas que serão executadas pelas Associação Provinciais e pelos clubes, que são os nossos associados, assim como pelos dirigentes.
JD – As Associações têm vos solicitado acção de formação ?
TV - A Escola nesse momento forma dirigentes e árbitros. O seu objectivo é a formação. Contudo, são as associações e os clubes que têm de enviar os projectos para a Federação Angolana de Basquetebol, esta faz um estudo e vê o que pode fa-zer em relação aos projectos apresentados pelos seus associados. Por outro lado, para além da federação assumir algumas responsabilidades financeiras, as Associações Províncias, juntamente com os Governos locais, deviam ter uma comparticipação nas despesas. Só assim poderemos melhorar o desporto.


JD – Quer então dizer que as solicitações das Associações não têm sido feitas da melhor maneira?
TV - Temos o projecto “Pé de Básquete”, mas as associações ainda não entenderam qual é o seu verdadeiro objectivo. Ele tem duas vertentes (a desportiva e a social), que obriga os jovens a recorrerem a uma formação. Por exemplo, fomos ao Lubango fazer um curso de estatística, treinadores de nível II e de árbitros estagiários. Depois tivemos uma conversa com os membros da associação local e eles desconheciam o que é o “Pé de Básquete”.


JD – Onde está a dificuldade? Na transmissão ou na compreensão?
TV – A dificuldade está na compreensão. Nós dizemos que para os cursos de formação as associações devem entrar com uma comparticipação. A associação diz que tem as condições criadas, mas quando chegamos no local, temos de suportar todas as despesas de alojamento e de alimentação. Praticamente todos os encargos ficam com a federação. As associações nada gastam. Algumas vezes até não fazem uma sensibilização eficaz, para as pessoas aderirem em massa às acções formativa.


JD – As formações estão a ser feitas, mas o que se diz é que os kits de desenvolvimento não estão a ser entregues...
TV – Estamos a formar e no devido momento vamos distribuir os kits às pessoas que aprovarem. O lógico seria termos já o material, bolas, apitos e a indumentária para os árbitros. Ainda assim, achamos que apesar de ainda não termos o material, não podemos ficar parados.


JD – Acha que com o empecilho acima citado, as pessoas já formadas poderão alcançar os objectivos que a escola pretende?
TV – É muito relativo. Por exemplo, acabámos de formar aqui na província do Huambo árbitros, estatísticos e treinadores, mas se eles não continuarem a exercer a sua actividade, muito dificilmente conseguirão atingir os seus objectivos. Outro exemplo, no curso de estatísticos é obrigatório que se façam exercício diariamente. Isso faria com que eles trabalhassem numa ou noutra competição regularmente, para manter a prática. Mas aqui, nessa província, sei que dificilmente há competição. Não adianta aprender hoje e praticar daqui a um ano. Fica muito difícil dizer se os formados vão corres- ponder às nossas expectativas.


JD – Neste caso, o que devem fazer, já que a ausência de competição se nota em quase todo o país?
TV – É o que disse: o material é necessário. Por exemplo, terminou um curso de treinadores. Nós deveríamos ter já, a partir de Luanda, vindo com quatro bolas e um apito para cada um deles. Logo que acabássemos a formação entregá-los-íamos para poderem trabalhar nos bairros e nos municípios. Nós só iríamos fiscalizar o trabalho deles, de três em três meses. Só assim é que poderíamos ver e dizer se há desenvolvimento ou não.


JD – Com estes condicionalismos é possível no futuro contar com as pessoas formadas?
TV – É possível que sim. Tudo depende das oportunidades que a própria província lhes dará. Sabemos, por exemplo, que aqui, no Huambo, há muitas dificuldades. Parecendo que não, isso vai dificultar a vida daqueles que queiram dar o seu contributo ao desenvolvimento do basquetebol.

“ É necessário que as
associações se organizem”

JD – Com tudo que aferiu podemos concluir que a escola está a formar quadros que de certeza serão sub-aproveitados...
TV – Pode ser que sim; ou que não. Porque é assim: se as Associações Províncias se organizarem, juntamente com os Governos Províncias; se existir uma ligação entre ambas, acredito que haverá maior dinâmica nas coisas. Estes indivíduos que acabaram os cursos poderão ser aproveitados. Caso contrário, estaremos a formar sem uma perspectiva de futuro. Por exemplo, no projecto de expansão e desenvolvimento, “Pé de Básquete”, as Associações têm o direito de pedir computadores à federação, mas há que haver um projecto sério.
Ter uma sede com energia eléctrica, pois não vale a pena pedir computadores quando a sede da associação não tem luz, no caso de haver sede. É necessário que as associações se organizem.


JD – As associações reclamam que os governos não as apoiam. Concorda ser necessário haver um protocolo entre a Federação e os governos locais para facilitar o desenvolvimento da modalidade?
TV – Olha... vou falar especificamente da província do Huambo. Estive numa reunião com o director provincial dos Desportos do Huambo, Bernardo Suca, e chegámos à conclusão que existem verbas para a formação. O que não existe são os programas de trabalho. As associações não fazem e nem apresentam programas de trabalho. Quando assim acontece, o Estado não pode apoiar em nada.


JD – Noutras províncias as dificuldade têm sido as mesmas?
TV – Sim. Este quadro acontece em todas as províncias. Talvez Benguela, em princípio, esteja mais ou menos organizada. Na Huíla detectamos que só duas pessoas trabalham. O presidente não funciona.
Por exemplo, viemos ao Huambo para ministrar o curso e a associação não tem se quer um transporte. Andámos de “candonguerios” e às vezes a pé até ao local dos trabalhos. Assim fica difícil. Mas em fim!... continuo a dizer que as associações têm de se organizar.


“Não sei se temos
dirigentes desportivos no país”

JD - Na sua óptica as Associação Provinciais têm sido um grande obstáculo para o desenvolvimento da modalidade...
TV – Sim. Têm sido porque elas normalmente são eleitas. E é como tudo na vida: começam sempre dez a quinze pessoas e com o passar do tempo ficam lá uma ou duas. Fica difícil uma única pessoa trabalhar numa associação, porque as outros perderam o interesse inicial.


JD – o que poderia ser feito para colmatar a “fuga” dos dirigentes associativos?
TV – Acho que as direcções da Juventude e Desportos deveriam acolher alguns elementos das associações como funcionários seus, para poderem usufruir de um valor monetário que compensasse o seu trabalho, pois estes trabalham nas associações porque gostam. São carolas, mas têm as suas necessidades, já que todo o trabalho deve ser remunerado.


JD – Nota-se de igual modo a carência de dirigentes formados. Essa área também é de vossa responsabilidade?
TV – No “Pé de Básquete” consta a formação de dirigentes desportivos. Todavia só podemos fazer essa acção quando solicitados pelas associações, pois elas é que conhecem as necessidades dos seus quadros. Desde que sejam acima de trinta elementos, podemos realizar o curso. Não podemos realizar um curso com menos de 15 pessoas. Falando muito sinceramente, não sei se temos dirigentes desportivos no pais. Podemos ter pessoas que gostam do que fazem, mas um dirigente desportivo é alguém muito sério.


JD – Qual é o orçamento anual da escola? O mesmo cobre as suas necessidades?
TV – Não vou falar dos valores que a escola recebe, pois o mesmo não é da escola, mas da Federação de Basquetebol.

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